sábado, 29 de outubro de 2016

Uma história de atropelamento e fuga

Uma história de atropelamento e fuga.
Filho pequeno, animal de estimação, objetos de uso constante e de valor, levamos sempre a mão, em rédea curta, sempre próximo dos olhos e das mãos. Os motivos são óbvios. Mas as vezes temos aqueles instantes de bobeira e eles se soltam, se vão. Aproveitam da nossa distração e partem pra experimentar o novo, a liberdade sonhada, espaço almejado, enfim, o que será que se passa dentro de cada um? E assim, lá estava eu, com amigos, chovia, lama, buracos, frio. Uma dessas aventuras que a gente se mete a convite dos amigos. Mas junto com os amigos a gente topa até passeio de índio, lá estávamos nós. 
Quando percebi, não estava mais ao alcance das mãos ou dos olhos. Olhei em volta, perguntei aos que estavam por perto. Voltei ao carro e nada, uma sensação angustiante e de vazio tomaram conta de mim. Comecei a correr pelos lugares que já tinha passado e nada. Pedi para os amigos que estavam próximos de mim, que ajudasse a procurar e a chamar por ele. Nada! A sensação era terrível. Tudo nessa hora passa na sua cabeça. Onde estará, o que será que aconteceu, está com alguém ? Momentos torturantes. Até que de longe eu avistei. Caído na lama. Entre os buracos da rua, cheio de lama. Corri ao seu encontro. Á distancia não acreditava no que estava vendo. Não podia ser verdade, mas era. Lá estava ele, estirado no chão. Só, abandonado, sujo e aparentemente sem vida. Com carinho eu o peguei, limpei o que era possível. E ví que definitivamente estava sem vida. Não respondia a nenhum dos meus estímulos. Era o fim. Ele estava morto. Uma tristeza profunda toma conta de mim. Não sabia o que fazer, nem como agir. Estava desnorteado.
O que me deixa estarrecido é a falta de solidariedade e compaixão da pessoas. Não foram capaz de impedir, nem de socorrer. 
Apesar da sua breve vida, vivemos muitas coisas juntos. Alegria, tristezas, momentos de prazer, trabalho. Enfim ele se foi. Meu celular foi atropelado. Estou arrasado. Neste momento, de luto.

Um comentário: