Essa história poderia começar assim: Em uma pacata cidade do interior paulista.....
Estava esperando a carona que ia me levar pro aeroporto, e desci pra esperar na porta do prédio. Era uma rua calma, típica de cidade de interior. Um bar na esquina a minha direita, duas casas de moradia na sequência. Bem em frente onde estava um açougue. Em frente ao açougue duas senhoras conversavam calma e tranquilamente. Uma delas segurava um cachorrinho pela coleira e na outra mão uma sacolinha meio cheia, junto com a coleira segurava uma bolsinha preta. A outra senhora de costas pra rua conversava animadamente com a outra senhora que parecia ser sua amiga. Falavam, gesticulavam, riam, tocavam uma na outra pra contar algo mais sigiloso ou "fofoquento" rs. Eis que do nada surge um moleque vindo da esquina correndo alucinado. Passa entre as duas senhoras e quase derruba a que estava segurando o cachorro, que perde o equilíbrio, e pra não cair se escora no muro que estava atrás de si. Assustadas e nervosas gritam e esbravejam levantam os braços como se fosse bater em alguém que estava por ali. Atravessei a rua pra falar com elas, e ver se estava tudo bem. Ficaram contando e repetindo o acontecido várias vezes. E começam a reclamar da violência, da falta de segurança e a falar que isso é desespero das pessoas sem emprego. Perguntei se tinham levado alguma coisas delas, e percebi que a sacolinha não estava mais na mão dela. Pois é meu filho, disse ela, levaram a sacolinha onde estava o coco do meu cachorro. Eu levo ele pra passear e fazer necessidades, mas não deixo cocô no chão. Mas estão roubando até o cocô do cachorro, terminou ele indignada.
Se está ruim, sempre pode piorar.
Contos, causos, textos, sobre a vida de quem vive esta vida. A vida e seus conflitos, dramas, sofrimentos, alegrias e surpresas. A vida como ela é, bonita de ser vivida e partilhada. Este é o objetivo deste Blog. Sejam bem vindos.
quinta-feira, 24 de novembro de 2016
Pega ladrão ?!
Lanchinho agitado
Escuta essa, digo, leiam essa história.
As coisas acontecem e a gente nunca acha que vai passar por certas situações ou estar perto de algumas delas.
Estava tomando um lanche em uma padaria de esquina em São Paulo. Demorei pra achar um lugar legal pra comer, e tinha esta lanchonete e pastelaria. A Barca. Não sei porque do nome. Recomendo o americano e o omelete com fritas.
Mas, o começo desta história, o fato ocorrido é típico de bar e ou lanchonete de esquina. Bêbados chatos e moleques sem noção, o que tem em todo lugar. Sentei de frente pro balcão nos fundos da lanchonete. O lugar é pequeno. Ao lado de onde estava sentado, a minha direita, uma mesa pequena encostada em um vidro que mostrava a rua.
Fiz meu pedido, e fiquei de conversa com o chapeiro e o copeiro. Na minha frente do outro lado do balcão, perto da entrada e do caixa estava o nosso primeiro personagem, um rapaz completamente embriagado. O chapeiro e o garçom me contavam que era um profissional muito competente e respeitado que trabalhava com acabamento de madeira em residência, ou coisa assim. Mas que aos sábados fazia uma via sacra entre os bares daquela região e terminava ali. Até aí, era só mais um bêbado de padaria. Passado alguns minutos, entram três caras no melhor perfil moleque bombadão de academia. Hipertrofia em baixo, atrofia em cima, acho que da pra imaginar. Até aí, normal. E eu ali esperando o meu lanche, assuntando com o garçom e o chapeiro. Eis então, que entram duas moças muito bonitas e arrumadas. Pelo vidro deu pra ver quando saíram de um barzinho na esquina oposta, atravessaram a rua entraram e sentaram na mesa que estava a minha direita, nos fundos da lanchonete. Pediram alguma coisa para comer e ficaram conversando. Aí os personagens desta história começam a interagir. Os três "pityboys" provocaram o rapaz que estava de fogo a ir mexer com as moças. E assim era a cena, ele ia, e elas despachavam o cara na moral e até com certo bom humor, isso por várias vezes. Mas, os babacas que estavam provocando o bêbado começaram a apelar e a falar alto, baixando o nível da conversa, dizendo pro bebum chamar elas disso e daquilo. E falando alto um monte de coisas, que em certa altura, chegaram ao nível do intolerável. Que na minha opinião já tinha passado do tolerável fazia tempo. Foi quando eles disseram, "vai lá e passa a mão na gostosa". Antes que o nosso primeiro personagem pensasse em fazer alguma coisa, as duas se levantaram da cadeira ao mesmo tempo e tiraram da cintura, mas atrás das costas, uma pistola cada uma. E apontaram pros moleques. Agora , congela a cena.....duas moças aparentemente indefesas, sacam duas automáticas e estão em posição de tiro. Segue a cena, o bêbado cai de costas em cima de uma pilha de carvão que estava encostado no caixa, os babacas ridículos, não tem outra coisa pra chamar esses caras, se escondendo, tropeçando um no outro e se estabacando na geladeira atrás deles. E as meninas dizendo com uma autoridade que não parecia sair delas: VAZA!!! Na hora senti que algo escorreu pelas minhas pernas, sim nas duas. Não sabia se era o meridiano da bexiga tendo um ataque ou era coisa mais líquida, e o suor descendo. O garçom e o chapeiro se afundaram no balcão, o caixa idem, e os babacas gritando "PELAMORDEDEUSMINANUMFAIZISSO" (coloca um sotaque paulistano nisso que vc vai entender como era). E elas repetiram mais uma vez VAZA!!!! Quando eles iam saindo, um se arrastando de costas no chão e os outros dois um se escondendo atrás do outro, elas gritaram, VOLTA E PAGA A CONTA SEU BABACA. Eles jogaram uma nota pro rapaz do caixa, e foram embora. O bêbado sumiu, não sei por onde ele saiu. As moças enfiaram a pistola no coldre que estava nas costas, sentaram e continuaram a tomar o lanche. E eu estava em dúvida em como fazer pra levantar dali. É cada uma que me acontece.
quarta-feira, 23 de novembro de 2016
Josephine - A descoberta da felicidade pode ser dolorosa.
Acordo de um sono mal dormido, no meio da madrugada. Frio, chuva fina, estava em um acampamento para ver um fenômeno natural. Nada feito, chuva, neblina, vento, frio e um bando de doidos acampando no alto de uma montanha. Ninguém dava o braço a torcer, ficaríamos ali. Ficamos. E nos lascamos.
Acordado pela dor que atormentava todas as partes do corpo e pelo chão duro, tentei achar uma posição naquela barraca, que já não balançava tanto com o vento forte. Acomodando os sentidos começo a perceber os ruídos do entorno. O vento fraco, garoa fina batendo na lona, pessoas rindo ao longe. Alguns passando perto da barraca. Nada chamava a atenção. Meio dormindo, quase acordado, a dor no corpo vai se acomodando e passando para outras partes menos doloridas, tento me acertar de novo, e me acalmo. Não sei quanto tempo depois, acordo com vozes, duas amigas conversando. Não conseguia avaliar há quanto tempo estavam ali conversando. Com certeza, na barraca ao lado. Não falavam alto, mas a direção do vento e o tom de suas vozes, traziam a conversa ate mim.
Parecia que a conversa já estava adiantada quando acordei com as vozes. Tentei não ligar, afinal queria dormir e que a noite acabasse logo. Pq deitado naquele chão duro, estava cada vez mais difícil. Tentando esvaziar a cabeça dos pensamentos e do desconforto, a conversa praticamente caia direto, no centro da minha atenção ou da minha barraca. Não tinha saída, me pus a ouvir. Tbem não ia mandar calarem a boca. Não me ocorreu, ou não tive coragem quando ouvi a frase de uma das moças que parecia desabafar. “preferia não ter descoberto a felicidade, assim sofreria menos”. Opa!! Isso me despertou, quase sentei.
A curiosidade bateu, afinal é uma frase de efeito, e na impossibilidade de dormir parecia que o tema era bem interessante.
Chegam mais duas amigas e perguntam o que está acontecendo, e é ai que tudo começa.
A protagonista desta história, que aqui chamo de Jose, começa a contar para sua amigas que tinha encontrado a felicidade, a reação das amigas veio de imediato – Que estória é essa!? Está de lua de mel com o marido? Descobriu algo novo nele depois destes anos de casamento? Alguém ataca de forma mais incisiva, tá de caso com alguém sua louca? Todas riem e falam ao mesmo tempo um confusão que não se distingue nada do que dizem, enfim se acalmam.
- Pois é, continua Jose, aconteceu. Era um estranho, se tornou amigo, mas sempre tinha um algo mais no ar, que não sabia o que era, não sabíamos o que aquele sentimento significava. A amizade se fortaleceu, o carinho ficou evidente no dia a dia, na convivência, na preocupação um com o outro. A ponto de ligar pra saber se a dor de cabeça tinha passado, se tinha dormido bem, se aquele projeto do trabalho tinha dado certo. Cuidado com as preocupações cotidianas. Percebi que é isso que mantem as pessoas juntas, que fortalece a relação, o interesse de um pelo outro. Mas vc não tinha isso com o Fulano ? perguntou uma delas. O dia a dia leva a gente pra uma vala comum, onde todas as coisas parecem iguais e sem importância, ou que parece que tudo esta sub entendido, dito sem dizer, e tudo acaba ficando sem ser percebido, falado. Aquela fase do “eu achei que vc tinha entendido”, “achei que vc tinha dito”, “achei que vc soubesse”, e assim as coisas deixam de ser vividas, sentidas compartilhadas.
Mas e ai sua louca, rolou aquela noite de sexo selvagem com o bofe?! Não, não Fulana, relações não são apenas sexo, são também sexo. A questão não é essa, a questão é carinho, cuidado, atenção com o outro e sexo também claro. Ah para com isso!!!! retrucou a mesma Fulana, que besteira romântica é essa, o que vale é o “rala e rola”, senão nem vale a pena. O que ela disse na verdade é impublicável neste espaço. Larga de ser tonta e cai de boca, todas riram inclusive Jose. Outra disse, isso nem é traição, vc nem fez nada, retruca a outra, não mesmo, como vc é babaca, trouxa. Mas e o bofe vale a pena, é gatão, sarado, tipão??? Vc é tão tonta que nem da pra perguntar se o cara manda bem, todas riram. Jose explica - gente é triste se sentir sozinha estando acompanhada, é solitário estar junto de quem não tem o interesse por vc, pelo seu dia, pela sua vida. A gente se sente secando. Independente do que vc faça, nada muda. Ai do nada, vc encontra uma pessoa atenciosa, e se sente cuidada, acolhida, querida e desejada. Todas reagiram - aeee uhul, ta escondendo o jogo “miga” ? Claro desejada tbem explicou Jose. Na minha cabeça não existe uma coisa separada da outra, as amigas riram, e todas falam ao mesmo tempo, eu ouvindo, ri por dentro. Só vc que vive um conto de fadas, atacou uma, outra dispara - brasa encoberta, dizia minha avó, mais risos e uma falação que não conseguia distinguir o que diziam, mas riam e faziam pouco caso da situação da amiga. Uma delas apaziguou os ânimos e retomou a conversa. Vai Jose, conta mais, parece que isso é muito sério pra vc. Gente, para de zuar. Fala Jose. E ela continua, com o mesmo tom de voz morno, sem alterar o tom. Imagino a cena: essas quatro moças sentadas em roda, uma delas deitada com a cabeça apoiada na perna de uma outra. Jose com as pernas cruzadas e com os cotovelos apoiados nos joelhos e com as mãos apoiando o rosto. Imagino que seja jovem pelo timbre da voz, cabelos compridos e não sei porque imagino que seja morena. Das outras não me vem nenhuma imagem. Pela claridade que podia ver através da lona fina da barraca, havia uma lanterna acesa dentro do barraca amarrada ao teto, apontando para baixo. Era essa a cena que me ocorria.
O que mais me doi disso tudo, continua Jose, a outra interrompe e ataca, foi não ter dado pra ele, todas riem. Não é isso, se defende Jose, é descobrir a felicidade e não poder vive-la. Saber o que é, toca-la, senti-la e não poder desfrutar disso integralmente. Ai que chatisse isso, disse uma das mais escandalosas, mas foi a única a se manifestar, as outras se calaram e entenderam. - Preferia não saber, continuou Jose, preferia não ter vivido isso, assim não sofreria, não sofreria por ser feliz. Silencio absoluto. Ficaram assim não sei quanto tempo. Ouço o que deve ser um fungar de nariz e só.