Escuta essa, digo, leiam essa história.
As coisas acontecem e a gente nunca acha que vai passar por certas situações ou estar perto de algumas delas.
Estava tomando um lanche em uma padaria de esquina em São Paulo. Demorei pra achar um lugar legal pra comer, e tinha esta lanchonete e pastelaria. A Barca. Não sei porque do nome. Recomendo o americano e o omelete com fritas.
Mas, o começo desta história, o fato ocorrido é típico de bar e ou lanchonete de esquina. Bêbados chatos e moleques sem noção, o que tem em todo lugar. Sentei de frente pro balcão nos fundos da lanchonete. O lugar é pequeno. Ao lado de onde estava sentado, a minha direita, uma mesa pequena encostada em um vidro que mostrava a rua.
Fiz meu pedido, e fiquei de conversa com o chapeiro e o copeiro. Na minha frente do outro lado do balcão, perto da entrada e do caixa estava o nosso primeiro personagem, um rapaz completamente embriagado. O chapeiro e o garçom me contavam que era um profissional muito competente e respeitado que trabalhava com acabamento de madeira em residência, ou coisa assim. Mas que aos sábados fazia uma via sacra entre os bares daquela região e terminava ali. Até aí, era só mais um bêbado de padaria. Passado alguns minutos, entram três caras no melhor perfil moleque bombadão de academia. Hipertrofia em baixo, atrofia em cima, acho que da pra imaginar. Até aí, normal. E eu ali esperando o meu lanche, assuntando com o garçom e o chapeiro. Eis então, que entram duas moças muito bonitas e arrumadas. Pelo vidro deu pra ver quando saíram de um barzinho na esquina oposta, atravessaram a rua entraram e sentaram na mesa que estava a minha direita, nos fundos da lanchonete. Pediram alguma coisa para comer e ficaram conversando. Aí os personagens desta história começam a interagir. Os três "pityboys" provocaram o rapaz que estava de fogo a ir mexer com as moças. E assim era a cena, ele ia, e elas despachavam o cara na moral e até com certo bom humor, isso por várias vezes. Mas, os babacas que estavam provocando o bêbado começaram a apelar e a falar alto, baixando o nível da conversa, dizendo pro bebum chamar elas disso e daquilo. E falando alto um monte de coisas, que em certa altura, chegaram ao nível do intolerável. Que na minha opinião já tinha passado do tolerável fazia tempo. Foi quando eles disseram, "vai lá e passa a mão na gostosa". Antes que o nosso primeiro personagem pensasse em fazer alguma coisa, as duas se levantaram da cadeira ao mesmo tempo e tiraram da cintura, mas atrás das costas, uma pistola cada uma. E apontaram pros moleques. Agora , congela a cena.....duas moças aparentemente indefesas, sacam duas automáticas e estão em posição de tiro. Segue a cena, o bêbado cai de costas em cima de uma pilha de carvão que estava encostado no caixa, os babacas ridículos, não tem outra coisa pra chamar esses caras, se escondendo, tropeçando um no outro e se estabacando na geladeira atrás deles. E as meninas dizendo com uma autoridade que não parecia sair delas: VAZA!!! Na hora senti que algo escorreu pelas minhas pernas, sim nas duas. Não sabia se era o meridiano da bexiga tendo um ataque ou era coisa mais líquida, e o suor descendo. O garçom e o chapeiro se afundaram no balcão, o caixa idem, e os babacas gritando "PELAMORDEDEUSMINANUMFAIZISSO" (coloca um sotaque paulistano nisso que vc vai entender como era). E elas repetiram mais uma vez VAZA!!!! Quando eles iam saindo, um se arrastando de costas no chão e os outros dois um se escondendo atrás do outro, elas gritaram, VOLTA E PAGA A CONTA SEU BABACA. Eles jogaram uma nota pro rapaz do caixa, e foram embora. O bêbado sumiu, não sei por onde ele saiu. As moças enfiaram a pistola no coldre que estava nas costas, sentaram e continuaram a tomar o lanche. E eu estava em dúvida em como fazer pra levantar dali. É cada uma que me acontece.
Contos, causos, textos, sobre a vida de quem vive esta vida. A vida e seus conflitos, dramas, sofrimentos, alegrias e surpresas. A vida como ela é, bonita de ser vivida e partilhada. Este é o objetivo deste Blog. Sejam bem vindos.
quinta-feira, 24 de novembro de 2016
Lanchinho agitado
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