Lembrei outro dia de duas amigas muito queridas do tempo da faculdade, pessoas completamente diferentes, mas que tinham objetivos de vida, ou não tinham, bem curiosos e peculiares. Nunca imaginei que a história delas fosse ter o desfecho que teve.
A história de cada uma delas vai por caminhos opostos e tem finais curiosos e inusitados.
Verônica uma moça cheia dos predicados físicos, tinha pele clara cabelos negros, resumindo e pra facilitar, um mulherão, com todo respeito. Acontece que ela gostava de uma boa esbórnia e só queria se dar bem na vida. Vivia me dizendo que queria se dar bem, casar com um cara de grana e curtir a vida. Mas era determinante que se desse bem. Ou seja, vida com muita grana, mordomia e sexo. Ela resumia uma boa vida dentro deste tripé, se bem que pra ela essa palavra tinha outra conotação. Enfim arranjou um cara que tinha disso tudo, e de sobra. Muito dinheiro, mas muito dinheiro, gastava sem precisar se preocupar e era um amante da boa cama. Gostava da coisa. Caíram um nas graças do outro. Pasmem, pasmei, casaram. Fizeram um contrato pre-nupcial, claro pq ninguém confiava em ninguém, e casaram. Encontrei com ela alguns anos depois e achei uma mulher mais radiante ainda, peruissima. Almoçava em Paris, para jantar em qqer outro lugar do mundo onde se pudesse chegar com o jato particular do marido. Ganhava uma pensão mensal que é quase tão imoral como essa história. Prefiro não revelar. Me dizia com um sotaque adquirido sabe-se lá onde “querido, isso que é vida, maraviwonderfull”.
Janice uma moça tbem muito bonita, e isso neste caso não vem ao caso, não precisava de dinheiro. Filha única de família rica, tinha muito, sempre teve, mas dizia que tinha um problema: Vivia uma vida bem besta, palavras dela. Tinha uma história não menos curiosa. Dizia que queria casar. Mas que podia ser com qqer um pq já tinha tido tantos relacionamentos mal sucedidos, que não acreditava em mais nada e em ninguém. Mas queria ter um lugar para voltar, uma casa pra cuidar, alguém de quem reclamar. Pq como estava vivendo, não tinha graça nenhuma. Achou “um cara”, como ela dizia. Descrevia como bonzinho, e só. Pareciam compativelmente sonsos pela descrição. Ambos tinham dinheiro, não precisaram de nenhum arranjo jurídico. Na verdade separação total. Ela achava mais seguro, no caso de se separarem (aqui eu preciso dar uma risada kkkk).
O desfecho das duas histórias conto agora:
Neste último encontro com Verônica encontrei uma mulher acabada, sem brilho, sem maquiagem, sem joias, olheiras fundas e escuras. Quase não reconheci. Precisei olhar bem para ter certeza de que era aquela mulher exuberante que eu conhecia na faculdade. E ela me conta o que estava se passando com ela. Tudo vai bem, continua ganhando aquela mesada imoral, viajando para onde quer, não há limites para o que quer fazer. Mas...o marido só quer entrar pela porta dos fundos, todo santo dia, se é que me entendem. Não que não gostasse, mas nesta frequencia estava acabando com ela. Quando ia chegando a noite ela ia ficando desesperada, se sentindo deprimida, agoniada. Assim foi perdendo o gosto pelas coisas, pelo sexo, pelas coisas boas da vida, segundo ela. E perguntei se já tinha falado com ele a esse respeito. Lembro bem quando ela tirou os óculos escuros, mostrando as enormes olheiras, baixou a cabeça e com as lágrimas escorrendo no rosto, disse que tinha medo. Dele? perguntei. E ela me responde com vergonha, “de perder os direitos do contrato nupcial”. Nunca mais vi Verônica.
Janice me conta que em dois anos vajaram o mundo, sem trabalhar. Se deram tão bem, que em mais um ano juntos, unificaram os negócios e empreendimentos que tinham, se desfizeram de alguns outros, capitalizaram e estavam levando uma vida apaixonada, uma lua de mel sem fim. Algo surpreendente para quem só queria “um cara”. No quarto ano desta ilha da fantasia ele teve um câncer fulminante e morre em 6 meses. Janice descobriu naqueles dias que estava com uma gravidez adiantada e de risco. Nunca mais vi Janice.
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